domingo, 27 de dezembro de 2009


— Lady Gaga, qual é a músicaaa?


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O seminarista

Arrancar a língua de um cara é mais difícil do que arrancar um olho. Tive que fazer o D.S. desmaiar, dando vários golpes na cabeça.
A cozinha da casa de D.S. era enorme e tinha todos os tipos de facas. Dentro de um closet de ferramentas arranjei um alicate. Com o alicate puxei a língua de D.S. para fora o máximo possível. Eu não sabia que uma língua puxada com força por um alicate crescia daquele jeito, parecia-me ter uns trinta centímetros. Foi fácil decepá-la com a afiada faca da cozinha.
Eu sabia que arrancar os olhos de um sujeito não era fácil, por isso me contentei em furar repetidamente com a faca os dois olhos de D.S.
Ia cortar também os colhões dele, mas estava cansado. Encostei a Glock no nariz e abri um buraco de mina. Depois dei um tiro na têmpora esquerda e outro tiro na têmpora direita e outro tiro no seu peito na altura do coração. Finalmente com a faca de cozinha cortei as suas duas carótidas.
Antes de ir embora fiquei olhando para o corpo, para me certificar de que ele estava morto. Mas a medicina moderna fazia milagres. Vasculhei a casa toda até que encontrei num armário da copa vidros de álcool. Ensopei o corpo de D.S. de álcool e acendi. Criei uma bela fogueira, que foi se propagando pelos móveis da sala.

Anterum factotum. Antes, os fatos.
O seminarista é fácil de resumir: matador de aluguel decide largar a profissão, mas descobre que não é tão simples assim. Simplorium nac-nac-na-naum.
Rubem Fonseca deve se achar um cara sublime, um brioche saído da fornada especial de Deus. Deux virtuosis fornus expeliarmus brioxi. Em todos os livros, ele consegue socar, sem nenhuma sutileza, seus conhecimentos de latim. Sei lá, isso deve produzir uma coceirinha gostosa no cu. Apraxivia furicus cuscus. No romance em questão, o protagonista é um ex-seminarista com profundos conhecimentos de latim, assim como o vilão, a namorada, o porteiro e a tia que vende Yakult. Lactobacilus vivus comerciarum tia.

Fiquei acordado a noite inteira, pois fui para a cama com um livro. Ler me tira o sono e só parei quando cheguei à última página e já era de manhã e o livro era ruim. Merda.

Sei bem a sensação, truta. Ô, se sei.


O seminarista
Rubem Fonseca
Agir, 2009
184 páginas

A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro

Roteiro para a Livraria Cultura do shopping Villa-Lobos num domingo de sol

Pare o carro na rua, aquela com o Santa Cruz de um lado e os prédios supervalorizados do Quércia do outro. Pouco antes de dobrar a esquina onde fica a tia que vende espeto na traseira do Fiat, você verá um bando de machos aninhados no ponto de táxi, o olhar fixo num ponto acima, rostos circunspectos como o de um senador romano. Seria uma aparição da Virgem?
Nada. Jogo do parmera, mesmo. Futebol, a cola que dá liga à sociedade, o cimento que une empresários e porteiros.
Caminhe pela marginal. Curta o trajeto. Inspire o ar com essência de fezes que emana do rio e pense nas flores de loto. Antes de atravessar as portas automáticas que se abrirão para o ar condicionado, cuidado: deverá passar por Treblinka, o gueto dos fumantes. Chega de enforcar pretos, queimar judeus, assassinar bichas. Coisa do passado.

ÁREA RESERVADA PARA FUMANTES

Pronto. Está no shopping. Um casal à base de antidepressivos canta músicas pseudo-natalinas no palco mambembe montado no térreo. Adultos e crianças achatam as bochechas no vidro do pet shop e fazem óóóó enquanto contemplam um filhote de shih tzu cheirar o cu de outro. Faça o seguinte: apanhe seu cappulatte mocha spermatto venti no Starbucks, passe pela Kopenhagen, faça a curva e suba as escadas rolantes. H.Stern, Cavalera, Kipling. Pronto: a Livraria Cultura.
Na roda de lançamentos, notará um livro do Rubem Fonseca. Aliás, dois. Pelo preço de um. O quê? A Companhia das Letras dando brinde? Nada, o Rubem Fonseca mudou de editora. Mais fácil o morcego doar sangue que a Companhia doar livro.
A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro vem de presente. Um conto requentado, publicado em mil-novecentos-e-araci-de-almeida, reeditado em “projeto arrojado”, com fotos de um tal Zeca Fonseca, provavelmente filho do homem.
Nepotismo é mato.

Depois que o homem apareceu, Raimundo passou a sofrer de insônia, a ter dores de cabeça e a emitir gases intestinais de odor mefítico que queimam seu cu ao serem expelidos.

A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro
Rubem Fonseca
Agir, 2009
80 páginas

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Céu de origamis, parte II

A tradição brasileira em romance policial é nula. Separa o Rubem Fonseca e o Marçal Aquino, o resto pode enfiar pneu, molhar com gasolina e acender o fósforo. Não existe muita gente com estudo no país; pessoas que perdem tempo com literatura, poucas; indivíduos que resolvem escrever um romance, quase zero. Por isso, o escritor nacional é soberbo, arrogante e dono de um ego maior que a banana do Kid Bengala.

— Opa! Aí, não.

Céu de origamis é a punheta literária de um velhinho com ilusões de grandeza. Os diálogos são inverossímeis, fora de qualquer realidade que não a da Garcia-Rozalândia, um mundo mágico onde as pessoas se analisam mutuamente o tempo todo, toda hora, sem parar, nunca.

No caso de Marcos há um complicador: ele é ou foi uma pessoa muito fechada. Não que seja ranzinza, mal-humorado ou desagradável com os outros; ao contrário, sempre foi afável e de contato suave, mas tem uma característica que o torna quase inacessível: não fala. Às vezes passa um dia inteiro sem falar. A impressão que dá é de que tem um interlocutor interiorizado com quem mantém uma conversa extensa e intensa. Essa fala interior lhe basta, ele prescinde do outro exterior, e essa interioridade é impenetrável.

— Definitivamente, não sei. Podem surgir boas oportunidades em outros países. Até mesmo nos Estados Unidos. Uma coisa é o meu exercício profissional, outra é a minha cidadania, e outra ainda é a direção do meu afeto. Pessoalmente, meu único vínculo afetivo com o Brasil é você. Não tenho amigos aqui, não tenho parentes, não conheço ninguém, a única coisa que tenho é uma espécie de mito de origem. Nos Estados Unidos, tenho minha mãe, meu padrasto, meus amigos de infância, meus amigos e colegas de universidade, além da vivência da cultura americana. Às vezes me surpreendo de estar falando português o tempo todo. A máxima “minha língua, minha pátria” faz de mim um bipátrida, um ser que não existe no dicionário.

Existe no dicionário, sim, Garcia-Roza. Procura na letra pê.
Pedante, pretensioso, pentelho.

Céu de origamis
Luiz Alfredo Garcia-Roza
Companhia das Letras, 2009
264 páginas

Céu de origamis, parte I

— Não tomem um quadro esquemático e ficcional por uma conclusão sobre a culpabilidade de Adriana Rosalbo. Uma conjectura, por mais plausível que seja, continua sendo conjectura.

Sempre achei o Luiz Alfredo Garcia-Roza um escritor de merda. Com ême maiúsculo. Seus policiais são feitos para um público de Tonhos da Lua. O enredo parece água sanitária, os personagens têm a profundidade da Ângela Bismarck e a maldita formação do Garcia-Roza em psicologia vaza o tempo todo, tornando a leitura uma experiência agônica. Cada capítulo é um fiapo de bambu enfiado debaixo da unha, um bule de azeite fervendo derramado na orelha. É como ser torturado pelo Jack Bauer durante 72 horas.
Não tem escritor mais medíocre que Luiz Alfredo Garcia-Roza hoje, no Brasil. Ou tem?


— Eu!

— Eu! Eu!

— Não, eu, eu!

— Eu!

— Eu!

— Sou eu, sou eu!

Mas por que Garcia-Roza disputa o troféu “Mosca na Bosta do Cavalo do Bandido da Literatura Brasileira”, vulgo MBCBLB, com essa plêiade de escritorezinhos medíocres?

GARCIA-ROZA É REPETITIVO
É natural os romances policiais se repetirem. Afinal, o protagonista é o mesmo, e muitos personagens secundários também. É legal essa repetição. O Rex Stout faz isso muito bem. O Andrea Camilleri, nem se fala.
Já o Garcia-Roza...
Desde o começo do Céu de origamis, eu fazia uma oração silenciosa: “Por favor, meu Deus, que ele não mencione aquela maldita prateleira feita só de livros, que ele não mencione aquela maldita prateleira, que ele não mencione, é só o que eu te peço, Senhor”. As páginas avançavam, 30, 42, 61, 77...
...e 89.

Claro que o mesmo não acontecia com sua bizarra estante feita apenas de livros dispostos em fileiras verticais apoiadas sobre fileiras horizontais, dispensando as colunas e prateleiras de madeira de uma estante de verdade. Sua estante-só-livros, como ele dizia, era acrescida de novos volumes até atingir o ponto de saturação imposto pelas duas paredes laterais mais o piso e o teto. Faltava pouco para isso acontecer.
Um cara que acha essa merda de estante-só-livros uma coisa tão, mas tão fantástica que a cita em oito romances?
Enfia o dedo no cu e cheira.

Céu de origamis
Luiz Alfredo Garcia-Roza
Companhia das Letras, 2009
264 páginas

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Feliz 33 anos, pequena.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Separados no nascimento 42: Wanessa Camargo & Lady Gaga


Há uma tendência em achar que as pessoas formadas em Humanas são desapegadas e altruístas. Que elas jogam paletó na poça de lama pra mocinha pisar em cima. Afinal, se o filho da puta escolheu Letras, História ou Filosofia é porque não gosta de ganhar dinheiro.
Então, ficou instituído que todo conhecimento adquirido em Humanas deve ser transmitido de graça. Para divulgar, dizem. Ninguém chega pra um médico e diz: “Doutor, seguinte, você não quer fazer esse transplante de graça? Assim, o senhor divulga seu trabalho”.
Dia desses, recebi um e-mail de um sujeito que fez mestrado comigo.

De: ononon@yahoo.com.br
Para: diogokaupatez@hotmail.com
Enviada: quinta-feira, 19 de novembro de 2009, 04:56:39
Assunto: Ononon-CEJ

Oi, Diogo.
Aqui é o Ononon, de Arte Budista.
Tando vivo, responda.
Quero lhe pedir uma coisa.
Vc pode disponibilizar parte de sua tese para um livro de Arte do Japão? É a professora Ononon que está montando.
Vide anexo.
Abraço.

De: diogokaupatez@hotmail.com
Para: ononon@yahoo.com.br
Enviada: sexta-feira, 20 de novembro de 2009, 11:33:17
Assunto: RE: Ononon-CEJ

Tudo bom, Ononon?
Gostaria de saber se será remunerado.
Um abraço.

De: ononon@yahoo.com.br
Para: diogokaupatez@hotmail.com
Enviada: sexta-feira, 20 de novembro de 2009, 11:55:44
Assunto: RE: RE: Ononon-CEJ

Oi, Diogo.
Certamente, não.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

10.000 visitas revival: "Eleições 2008"

VIGÍLIA SSS DOS 318 PASTORES PARA DEZ MIL DESOCUPADOS

No fritar dos ovos, muita coisa foi extinta do Seja.Sinta.Saiba.: acabaram as enquetes, assim como as cartas do editor e as respostas aos comentários dos leitores. Assim, toda forma de interatividade foi eliminada. Não há interesse em estabelecer contato. Ao monólogo com os outros, preferimos o diálogo conosco.


ELEIÇÕES 2008
1 de agosto de 2008

— Primeiramente, gostaria de parabenizar a Band pela iniciativa e agradecer o convite. Boa noite ao telespectador em casa e obrigado pela atenção. Boa noite, Boris. Boa noite, colegas candidatos. Bem, São Paulo é uma cidade complexa, de grande potencial econômico e problemas sérios. A título de exemplo: a saúde está sucateada, a educação vem acumulando problemas gravíssimos das gestões anteriores, o trânsito chegou a patamares caóticos, acabando de vez com a paciência, que já é grande, do motorista...
— 1 minuto, candidato.
— ...o transporte público é, se me permite parodiá-lo, Boris, uma vergonha, o cidadão comum, que acorda cedo todos os dias para trabalhar, sabe muito bem das condições do transporte público no nosso município, o problema da poluição é grave, está na agenda de todas as nações ambientalmente preocupadas, hoje, no mundo...
— 30 segundos, candidato.
— ...enfim, nossa cidade precisa de pulso firme e capacidade decisória do próximo candidato a ocupar a cadeira de prefeito. Eu, caso seja eleito, e acredito que o serei, sancionarei, como medida emergencial, a reabertura imediata do Bahamas, importante complexo balneário de entretenimento adulto de São Paulo, pois o cidadão, pagador dos seus impostos, e também o turista, que vem à cidade e deve ser recebido de braços abertos, têm o direito...
— Seu tempo acabou, candidato.
— ...de foder uma bocetinha. Obrigado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Travessuras da menina má

Ele a sodomizava com ferros, com esses vibradores dentados que ofereciam aos clientes no Château Meguru? Eu sabia que a imagem da menina má, nua, de quatro, com o estômago inchado por aqueles pozinhos, soltando saraivadas de peidos porque essa visão e esses ruídos e aromas produziam ereções no gângster japonês — só nele, ou também oferecia esses espetáculos aos seus asseclas? —, iria me perseguir por meses, anos, talvez pelo resto da vida.
Falaram muito das Travessuras da menina má. Muito. Na época, eu era mão-de-obra escrava na Livraria da Vila, trabalhando dez dias seguidos a cada folga e contrariando uma meia dúzia de leis trabalhistas. Junto com O caçador de pipas e A menina que roubava livros, Travessuras da menina má era item obrigatório entre as velhas seguidoras de Nora Roberts e as mocinhas pseudo-intelectuais da Vila Madalena. Estranho. Afinal, o Vargas Llosa estava alguns degraus acima do Khaled Hosseini e do Markus Zusak. Será que o nível cultural da população estava crescendo? Seriam os resultados do PAC? A Era de Aquário?


— Será?

Não. Travessuras de menina má é uma merda mesmo.
Quando adolescente em Lima, o protagonista conhece a menina numa festa. Bonitinha, simpática e com certo jeito de puta, o jovem se apaixona no ato. Só que a garota tem genes podres. Ela só ofertará seu donut para homens munidos de pênis gigantescos e ações da Vale na carteira. O rapaz só servirá de muleta nos momentos em que a moça tropeçar na vida.
E o livro fica nisso durante trezentas páginas. De letra miúda.


Travessuras da menina má (Travesuras de la niña mala)
Mario Vargas Llosa
Alfaguara, 2006
304 páginas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Jericho: primeira temporada

Bum, cai uma bomba. Bum, cai outra. Bum, e mais uma. Bum, e outra.
E bum, bum, bum, freak le boom boom.

— Aaaiii!

Agora, o pior pesadelo da América se tornou realidade. Depois dos ataques nucleares, o país imerge na geleia escura do caos. Sem combustível, as pessoas precisam caminhar. Com o colapso da indústria, são obrigadas a plantar e iniciar pequenas pecuárias. Não há internet, celulares nem shows da Lady Gaga. Sem eletricidade, a única diversão à noite é sexo fácil e cachaça de batata. A maconha está liberada — afinal, os agentes da lei têm outras prioridades.
Meu deus, quem poderá nos devolver a paz?

Jericho: first season
2006

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

10.000 visitas revival: "Entrevista com John Dunning"

VIGÍLIA SSS DOS 318 PASTORES PARA DEZ MIL DESOCUPADOS

Entrevistar o John Dunning foi puro bareback. Se vender meia dúzia de livros pra meia dúzia de idiotas já deixa arrogante um escritor nacional, imagina um cara como o Johnny. Provavelmente, o encarregado de filtrar seus e-mails seria um sub do sub do sub do estagiário do trainee da substituta da agente do Dunning, em licença-maternidade. Qual não foi a surpresa quando sua esposa respondeu, e rápido. Dunning se recuperava de um tumor no cérebro, e ela estava responsável pelas coisas. Repassou as perguntas para o John, que ditou as respostas.


ENTREVISTA COM JOHN DUNNING
21 de junho de 2008

Seja.Sinta.Saiba.: Quanto mais a pessoa lê, mais sua vida anda um marasmo. Você concorda?
John Dunning: Não concordo. Nunca considerei a leitura perda de tempo, ou jamais teria feito dela meu ofício. Não acredito que literatura seja mero escapismo. Ela molda, relaxa, proporciona conhecimento de outras épocas, lugares etc.

SSS: Você deseja concluir mais um ou dois livros protagonizados por Cliff Janeway. Com seu DDA e enfermidades que o acometeram nos últimos anos, o que o faz continuar escrevendo?
JD: Um escritor jamais deixará de sê-lo. No momento, estou parado por conta da doença, mas passo o tempo todo pensando no próximo livro. Tudo ao meu redor é material para um romance.

SSS: Aqui, muita gente acredita que literatura “salva”, como uma religião. Você acredita nisso? E romances policiais, eles também podem “salvar”?
JD: Nunca ouvi falar disso, que livros podem “salvar”. Concordo que eles são mágicos e capazes de transformar a pessoa em alguém melhor. Se eles conseguirem te libertar dos problemas cotidianos, do caos no mundo etc., acabam por se tornar maravilhosos para o espírito.

SSS: Alguns afirmam que os videogames são criação do demônio. O bullying é creditado, dentre outras coisas, a jogos eletrônicos. O que aconteceria se crianças e jovens parassem com videogames e começassem a ler romances policiais por horas a fio? A sociedade incriminaria os livros e condenaria seus autores como corruptores de menores?
JD: Gente religiosa sempre arruma alguma sarna pra se coçar. O que realmente me preocupa é crianças e jovens não lerem absolutamente nada. A mim, tanto me importa o que leem, meus livros, os da Patrícia Cornwell ou do Dennis Lehane, pois, deles, sempre extrairão algo. Toda vez que abrirem um livro acrescentarão conhecimento àquele que possuem.

SSS: A morte é necessária na sua profissão. Como você, um escritor policial, enxerga a morte?
JD: É triste demais quando alguém morre antes do tempo. Quando você escreve e a morte chega para um de seus personagens, simplesmente aceita e segue em frente. Agora que encarei a morte de perto, eu a temo muito menos do que costumava temer. Gostaria de ter tido mais tempo para escrever, mas estou contente pelos meus doze livros publicados.

SSS: E, finalmente: Obama, McCain ou nenhum dos dois?
JD: Espero que seja o Obama, mas não me preocupo muito com isso. Qualquer um será uma grande melhora em relação ao Bush.

(Entrevista cedida em 17 de junho, por e-mail.)

Rainha do inverno, parte V

OS NOMES DOS CAPÍTULOS

Boris Akunin, o pai da criança, se acha um sujeito engraçado. Sei lá, talvez tenha sido criado com muito programa do Bozo e passasse as tardes apostando no cavalinho malhado. À noite, debulhava o garoto Juca pensando na vovó Mafalda. Só sei que ele optou por uns nomes super gozados pros capítulos de Rainha do inverno, num estilo manquitola herdado do Decamerão e Dom Quixote.

Capítulo segundo
No qual nada ocorre, a não ser conversas

Capítulo décimo segundo
No qual o herói fica sabendo que tem uma auréola ao redor da cabeça

Capítulo décimo quinto
No qual se prova de modo convincente a importância da respiração correta

Capítulo décimo sexto
No qual se prenuncia um grande futuro para a eletricidade

Nada contra. Naaada contra. Rainha do inverno é um ratatouille que mistura romance policial e maneirismos literários russos, berinjela e tomate, crimes e debates filosóficos sobre pedagogia infantil, carne e legumes cozidos, romance histórico e diálogos cômicos, azeite e sal.
Parece que o Boris Akunin queria fazer todo o kama sutra, mas só tinha meia hora.


MÉDIA DE RAINHA DO INVERNO
4.5 – 1.5 = 3


Ah, sim. A diagramação do livro é uma merda.


MÉDIA DE RAINHA DO INVERNO
3 – 1 = 2


E a cola da lombada parece Pritt.


MÉDIA DE RAINHA DO INVERNO
2 – 1 = 1

Então eu compreendi que meu trabalho era inútil. Não se esgota o mar com uma colher.

Rainha do inverno (Azazel)
Boris Akunin
Objetiva, 2003
288 páginas

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O refrão mais idiota de 2009


cover
eu sou um cover
gosto
de ser assim
cover
eu sou um cover
cover
cover de mim